quarta-feira, 14 de maio de 2008

Sobre tédio, ansiedade, inferninhos e aniversário

(Indira entra na cozinha, dá uma volta ao redor da mesa, bebe água, dá outra volta, pára no meio do recinto.)
M: Que foi?! Falta do que fazer?
I: Aaah, não não não, eu até tenho bastante coisa pra fazer.
M: E o que é, então?
I: Não sei...tenho montes & montes de coisa pra fazer, mas...sei lá...não tô a fim de fazer naada.
M: Isso se chama tédio.


tédio [Do lat. taediu.] S.m. Aborrecimento, fastio, desgosto.


Isso descreve, em parte, meu final de semana. Tédio e indisposição acometeram-me de tal forma que passei o sábado inteiro colada à cama, assistindo a The best years e Pangea Day. Na sexta à noite, estava tão terrivelmente entediada que mal pude dormir - e à uma da madrugada, estava eu na cozinha, comendo cream cracker, acompanhada apenas pela Jesmim, já que o resto da família já se encontrava, compreensivelmente, em berço esplêndido. Sabe-se lá por quê, cream cracker sempre me ajudou a aplacar meus ataques de ansiedade. De qualquer forma, só depois disso meu juízo voltou ao normal, se é que há algum traço de normalidade nele.
É de conhecimento geral que eu sou extremamente ansiosa, mas ela elevou-se à décima potência nos últimos dias - e eu não sei nem mesmo dizer exatamente qual é a razão disso. Uma pessoa próxima acha que é porque meu aniversário está virando a esquina. Pode ser. Não é isso.
Como não me agrada essa impotência, ontem, pus-me a lavar a louça ao som da trilha sonora de Armageddon. Tudo bem, estava sozinha e ainda me sentiria útil. Bem terapêutico.
Domingo, coincidentemente ou não, ouvi uma interessante conversa sobre inferno astral - o período de 90 dias, se não me falha a memória, anteriores ao seu aniversário, durante os quais as coisas não parecem sair exatamente como você gostaria. Ótimo, meus meses, até aqui, foram praticamente os melhores possíveis, mas talvez o meu inferninho tenha resolvido se manifestar nos 44 minutos e 30 segundos do segundo tempo. Tudo bem, eu agüento.
Bom, mas parece que houve uma pequena mudança de planos.
E a semana tem andado interessante, se você quer saber. Muito interessante.
Surpresas, surpresas, surpresas. E mais virão, eu espero.
Disseram-me, uma vez, que o seu ano começa mesmo depois do seu aniversário.

Diria que o meu começou muito antes dele. Maaas, como não quero contrariar a sabedoria milenar, imagino que vá ficar muito melhor ainda.

Não prometerei dar sinais de vida via post antes do grande dia, dada a quantidade de coisas a fazer/resolver/pensar/estudar/elaborar. Aceito presentes, telefonemas, cartas e visitas-surpresa domingo, inclusive de você :D








XOXO,

terça-feira, 6 de maio de 2008

É o seguinte, dois pontos: como uma estranha inquietação se apoderou da minha pessoa e a minha ansiedade tem atrapalhado mais do que de costume, ando meio impossibilitada de conseguir me concentrar em uma coisa só (e de dormir, mas isso não vem ao caso agora). Portanto, como não sei sobre o que postar, colocarei um textinho que elaborei para o trabalho da disciplina de Língua Portuguesa I sobre o Jamie Cullum. Como, você não conhece o Jamie? Então, compre os CDs, o DVD, as camisas, os ingressos de show e tudo o mais que encontrar. Se você se arrepender, é porque o mundo está acabando. Sim, eu sou uma grande fã do Jamie. Do tipo que sai comprando tudo o que encontra dele, fez o possível para ir aos shows no Brasil, mas motivos de força maior a obrigaram a ficar em casa lendo os comentários nas comunidades do Orkut e jurando que, no próximo, estará lá, nem que tenha que ir correndo e gosta de acreditar que, um dia, vai ter a grande chance de conhecê-lo.



Sem mais comentários inúteis, segue o texto sobre o meu baixinho.












Ele tem 28 anos, mas, no palco, mais parece um adolescente de 18. De tênis e calça jeans, interage com a platéia e sobe no piano ou se mete embaixo dele só para batucar um pouco. No entanto, é só começar a ouvi-lo cantar e tocar para perceber que se está diante de um grande talento. Jamie Cullum, cantor, pianista e compositor, já tem quatro excelentes CDs no currículo e uma quantidade considerável de fãs é considerado pela crítica e fãs um “Frank Sinatra de calças de ganga”, apesar da pouca idade.

Jamie tem um estilo próprio de cantar e tocar. Perguntado sobre porque toca jazz, ele responde: “As pessoas me perguntam porque eu toco jazz. É porque você pode levá-lo para tantos lugares diferentes. Você pode agregar a dance music, rock, pop music, clássico, funk, tudo...” E isso ele faz com maestria. Seus CDs são recheados de versões de clássicos, tão boas que até parecem ter sido compostas especialmente para ele.

Seu CD de estréia, Pointless Nostalgic, já contém um toque de pop, mas aproxima-se mais do jazz. São treze faixas, sendo onze versões, uma composição própria e outra em parceria com o irmão mais velho, Ben Cullum. Destaca-se a versão de High and Dry.

O segundo CD, Twentysomething, já traz três composições próprias e duas de Ben. É o álbum que o fez estourar e contém uma versão de Singin’ in the rain – tão diferente da original e, ao mesmo tempo, tão adequada a ele que o ouvinte tem a sensação de que é a primeira vez que está ouvindo-a, fato que também se aplica às demais versões.

O próximo CD lançado foi Catching Tales, que apresenta 14 faixas, sendo nove compostas por Jamie, sozinho ou em parceria. É o que mais se aproxima da fusão entre o jazz e ritmos como pop, funk e rock, mas sem se perder no processo. O último álbum do rapaz é In the mind of Jamie Cullum, e contém uma seleção de artistas que o influenciaram, além de uma exclusiva dele mesmo.Além disso, Jamie lançou, em 2004, o DVD Jamie Cullum Live at Blenheim Palace, que contém a gravação de um show, videoclipes e cenas da turnê em que ele fala sobre suas influências e músicas.

Quando se trata de shows, Jamie não decepciona. Simpático e atencioso, consegue segurar a platéia do começo ao fim, fazendo, inclusive, com que ela participe. Dono de um senso de humor inquestionável, faz piadas divertidas sobre a sua altura, mas se aproveita do fato de ser baixinho para usar o piano de todas as maneiras possíveis – chegando a ficar deitado embaixo dele para fazer a percussão.

Jamie Cullum, embora não tão conhecido, no Brasil, quanto deveria ser, é um verdadeiro artista e jazzman e digno do sucesso que vem conquistando. É para quem gosta de boa música.

domingo, 4 de maio de 2008

Oh, Momo

- Eeeiii... Mãe, que língua é essa?
- Que língua é essa? É francês.
-Francês?
-Sim.
-Francês?!
- É.
- Tem certeza que isso é francês?
- Tenho!
- ... Não parece francês.
- Parece sim.
- Não parece.
- Claro que parece. É francês.
- Então tá. É que, quando o Pierre fala, soa melhor.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

.

Standin' on your mama's porch
You told me it would last forever
Oh the way you held my hand
I knew that it was now or never
Those were the best days of my life
Back in the summer of '69









Eis a programação de hoje: fazer uma booooa triagem do que ficou guardado nas gavetas, ao som de Summer of 69 e outras mais do sr. Adams e, mais tarde, assistir a Pushing Daisies (Adoro. mal estreou e eu já estou oficialmente viciada). Sim, hoje é o segundo ou terceiro dia da corrente semana que eu tiro para passar algumas coisas adiante. De vez em quando, tenho esses ímpetos. Acho terapêutico, e são até bons, considerando a minha capacidade de acumular qualquer coisa que eu ache que possa vir a ter algum valor sentimental. Verdade? Não poderia haver programa melhor para hoje. Mesmo.












See ya,

terça-feira, 22 de abril de 2008

Coming clean

'Me cansei de lero-lero
Dá licença mas eu vou sair do sério
Quero mais saúde
Me cansei de escutar opiniões
De como ter um mundo melhor
Mas ninguém sai de cima
Nesse chove-não-molha
Só sei que agora
Eu vou é cuidar mais de mim!


Como vai, tudo bem
Apesar, contudo, todavia, mas, porém
As águas vão rolar
Não vou chorar
Se por acaso morrer do coração
É sinal que amei demais
Mas enquanto estou viva
Cheia de graça
Talvez ainda faça
Um monte de gente feliz! '

É.

And, once again, from now on, I'll be the light, not the bug.

XOXO,

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Sobre pontes

Então, meu feriadão foi muito bom. Sem mais detalhes, envolveu assistir a um filme que há tempos queria ver, sair com as amigas, ré-arrumar meu quarto, divertir-me e ser surpreendida. Uma excelente surpresa, diga-se de passagem. Que venham mais como essa.


* * *


Já faz parte das minhas primeiras atividades das manhãs de sábado ler a Das Antigas. Sendo fã da coluna e do Demitri Túlio (uma pessoa divertida, inteligente, atenciosa, extremamente talentosa e a quem tive o grande prazer de conhecer), você certamente me encontrará com uma xícara de café numa mão e o Vida & Arte na outra, provavelmente rindo das situações por ele narradas. Anyway, a coluna da última semana me chamou a atenção, não pela sua comicidade, mas pelo conteúdo em si. Achei belíssima; não resisti em compartilhá-la e resolvi trancrevê-la aqui. Só pra constar: o Demitri é repórter especial do O Povo, tendo passado por quase todas as editorias da Redação, e ganhou alguns dos prêmios mais importantes de jornalismo do País e Américas, como o Esso (5) e Sociedade Interamericana de Imprensa (2). Lançou o livro Das Antigas - crônicas escolhidas I. A coluna Das Antigas sai todos os sábados, no caderno Vida & Arte.
Segue a tal que, por algum motivo, tanto me impressionou.




'CARO SEU GIL FURTADO,


COMO DIZ UMA AMIGA DE REDAÇÃO, a saudade é uma ponte. E por causa dessa frase tive de me rebolar para tentar responder ao Pedro Túlio, meu rebento temporão. Leu no santinho de seu Francisco e me pediu que desencantasse o que enigmático viria a ser. Ponte não é pra passar carro, carroça de boi puxar, andar gente a pé, correr o trem porque tem um rio ou um mar brincando embaixo?

PONTE, MEU PAI, não é apenas um jeito diferente da gente reinventar o caminhar? Ou um lugar, que já vi em filmes, pra alguém pescar ou dar beijos de namorados? Ponte, a professora nos ensinou (dicionário na mão), é uma construção destinada a estabelecer ligação entre margens opostas de um curso d’água ou de outra superfície líquida qualquer...É, pai?

COMO A SAUDADE pode ser uma ponte, se vi no meu livro de história que em algumas delas houve arengas de guerras infindas? Ponte não é aquilo que construíram no quintal lá de casa porque a chuva alagou tudo, a fossa estourou, o cacimbão transbordou e a goiabeira ficou gripada?

PONTE, MEU PAI, pensei que fosse apenas uma imagem de cartão postal de algum cafundó imaginado. Ou um retrato pintado a guache por dona Araci. De uma menina saltitante. Cestinha na mão, vestido de saia rodada e fita vermelha no cabelo. Sim, e um menino correndo logo atrás e, logo atrás dele, um cachorro que gostava de ter nascido cachorro. O gato, também vinha feliz. Rabo esticado, patinhas de bailarina e louco pra ter asas de borboleta.

A SAUDADE É UMA ponte, pai? E ponte é o quê, mesmo? É você lembrar do dia em que vi chuva pela primeira vez e achei que o céu estava se desmanchando? De você ter me visto brincar de ator na escola e enchido as lágrimas de olhos? De ter corrido pros seus braços quando um trovão rasgou o nada?

OU SOU EU RECORDAR de você fazer pipoca, espantar a tanajura, me apertar e me morder? Ou eu rir de você quando contava que a vovó lhe puxava as orelhas porque não decorava a tabuada?

PAI, A PONTE é feita de tijolos ou de saudades? E toda vida que temos saudades há uma ponte?
Façamos assim, toda vida que eu quiser lembrar de você (sem precisão de tristeza, choro ou bala soft na garganta) vou subir num ipê amarelo, vou andar pela João Cordeiro, vou ficar calado pra ouvir suas risadas, vou ler um jornal de cabo a rabo ou dar um pulinho na UFC... Vou aparar água da chuva, colher asas de formigas, desvarrer a calçada, cantar cantigas de grilos e encher os baldes de lembranças.

SUAVES, CHEIAS DE desejos de vê-lo. Mas por compreender impossível, construir pontes de saudades e passarinhos. De ir ali e voltar já. Breve, breve...'








au revoir e até a próxima,

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Tudo novo. De novo.

Pois é, esse deve ser o vigésimo blog que eu crio em um espaço de tempo curtíssimo. Nenhum dos anteriores foi devidamente levado a sério, mas eu estou disposta a cuidar melhor desse.
Não que eu queira dizer com isso que vou sempre postar textos brilhantes ou terrivelmente engraçados - embora quisesse muito fazê-lo.
Por ora, é isso. :*